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Neste post trago um artigo extraído da internet, sobre o ciclo do Nitrogênio que é de fundamental importância para o seu aquário plantado.

Boa leitura a todos,

PJ Fishes.

 

As primeiras semanas de um aquário novo são fundamentais para o sucesso dele. Antes de pensarmos em adquirir peixes para colocarmos em nossos aquários, devemos primeiramente preparar a "casa" para eles. Um aquário é um pequeno mundo vivo em miniatura, e preparar a casa significa estabelecer neste mundinho toda a biologia necessária, que possibilitará vida saudável em um ambiente fechado e pequeno. As fezes, a alimentação não consumida, os dejetos dos peixes e qualquer outra matéria orgânica que se acumula não desaparecem do aquário por efeito de magia. Eles são decompostos por microrganismos, muitas vezes resultando em substâncias tóxicas. Mas como a natureza é sábia existem seres que nada mais querem do que transformar essa matéria decomposta em outros compostos que possam ser novamente aproveitados por outros seres. Uma das mais importantes classes de compostos que resultam da decomposição são os nitrogenados, e o processo pelo qual eles são gradativamente transformados é chamado de Ciclo do Nitrogênio.

 

Como e quem faz essas transformações? São seres microscópios chamados bactérias nitrificantes, cuja função na natureza são de decompositores dos compostos nitrogenados. Ao montarmos um aquário novo, essas bactérias só existem em quantidades muito pequenas (aquelas poucas que por acaso vieram junto com a água, com o cascalho, etc.). Portanto é fundamental, nas primeiras semanas, fazer com que esta colônia de bactérias se multiplique até atingir uma quantidade que seja capaz de processar os dejetos dos peixes que virão a seguir. Assim, dependemos da formação de uma boa colônia de bactérias nitrificantes para que possa haver vida saudável em nossos aquários. Na linguagem do aquarismo, esse período inicial de formação da colônia costuma ser chamado de ciclagem do aquário. Um aquário só estará pronto para receber a população principal de peixes quando ele estiver devidamente ciclado. Este processo normalmente leva entre 2 e 6 semanas para se completar.

Vamos entender melhor como é este ciclo. O nitrogênio (N) é um elemento químico que entra na constituição de duas importantíssimas classes de moléculas orgânicas: proteínas e ácidos nucleicos. Embora esteja presente em grande quantidade no ar, na forma de gás nitrogênio (N2), poucos seres vivos o assimilam nessa forma. Apenas alguns tipos de bactéria, principalmente cianobactérias (antigamente conhecidas como algas azuis ou cianofíceas), conseguem captar o N2, utilizando-o na síntese de moléculas orgânicas nitrogenadas. Essas bactérias são denominadas fixadoras de nitrogênio. Eles acabam sendo comidas por outros organismos, que por sua vez são comidos por outros animais, e assim por diante até que os compostos nitrogenados estejam espalhados por todos os seres vivos.

Quando esses compostos nitrogenados são liberados, (pela morte de um organismo, ou parte dele, ou pelas suas excreções), eles são processados por bactérias decompositoras, e um dos principais produtos dessa decomposição é o gás Amônia (NH3). A amônia, em contato com a água, forma o Hidróxido de Amônio (NH4OH), uma substância altamente tóxica que em grandes concentrações tem o efeito de uma base altamente corrosiva. A amônia é uma substância muito perigosa para os peixes, e a sua toxicidade depende da temperatura, do pH e da salinidade da água. Por exemplo, quanto mais ácido for o pH, mais Hidróxido de Amônio é neutralizado e portanto diminui a toxicidade da amônia. Por outro lado, quanto mais alcalino o pH mais perigosa é a Amônia. Felizmente, essa substância é consumida por bactérias do gênero Nitrosomonas, que na presença de oxigênio transformam a amônia em Nitrito (NO2-) obtendo energia através do seguinte processo:

2 NH3 + 3 O2 —-> 2 HNO2 + 2 H2O + Energia

O HNO2 (ácido nitroso) dentro da água se dissolve liberando o íon nitrito (NO2-). O nitrito é mais uma substância altamente tóxica para plantas e animais, mas felizmente ele também não se acumula em um aquário bem montado, pois logo as bactérias do gênero Nitrospira o transformam em Nitratos (NO3-), também obtendo energia pela reação:

2 HNO2 + O2 —-> 2 HNO3 + Energia

Agora sim, o nosso nitrogênio que partiu das moléculas orgânicas decompostas finalmente assumiu uma forma bem menos tóxica. No aquário, o nitrato vai lentamente acumulando como resultado desse processo. Mas não devemos deixá-lo acumular muito porque isso acaba levando ao crescimento excessivo de algas que o aproveitam como nutriente. Para evitar isso, fazemos regularmente trocas parciais de água e, melhor ainda, colocamos plantas naturais no aquário, pois o nitrato é prontamente consumido por elas. Aliás, as plantas também são boas consumidoras de amônia, e portanto ajudam muito a manter essa toxina sob controle.

As bactérias nitrificantes irão fixar-se em qualquer local onde haja uma boa oxigenação (visto que o processo principal do ciclo é aeróbico, ou seja, com a presença de oxigênio). Porém, as colônias serão mais prósperas em locais onde não haja muita luz, e onde a corrente de água não as moleste em demasia. Esta é a parte mais importante do Ciclo do Nitrogênio em termos de aquarismo, mas na verdade ele não para por aqui. Por exemplo, se faltar oxigênio na água o Nitrato pode ser transformado novamente em Nitrito ou então, por um processo chamado denitrificação, ele volta a ser transformado por bactérias anaeróbicas em nitrogênio gasoso (N2), e o ciclo fica completo.

Agora que sabemos como é o Ciclo do Nitrogênio, podemos entender melhor como devemos proceder em um aquário novo para garantir um ambiente saudável para os peixes. O processo de colonização dessas bactérias ocorre sem que seja necessária a sua intervenção, basta que haja uma fonte de matéria orgânica. Uma vez montado o aquário, colocada a água e ligados os filtros, precisamos fornecer um pouco de amônia para dar início ao processo de ciclagem. Às vezes a própria água de torneira já vem com amônia, mas em geral é melhor incentivar o processo. Mais uma vez, uma ótima maneira de começar é colocando plantas naturais. O seu próprio metabolismo e as folhas que caem fornecem o nitrogênio inicial, e como já dissemos elas ajudam a evitar que o nível de amônia suba demais. Também se pode colocar uma pitada de ração, ou um pequeno pedaço de peixe ou camarão, e existem produtos comerciais incentivadores do ciclo. Outro bom procedimento é usar um pouco de cascalho e/ou água de um aquário já maturado, que esteja seguramente em boas condições.

É muito comum colocar "peixes cicladores" para acelerar o processo também. Acrescenta-se uns 2 ou 3 peixes resistentes (paulistinhas, por exemplo) para viver no aquário enquanto este está passando pela ciclagem. Mas este não é um bom procedimento pois se está submetendo estes peixes a um stress desnecessário. O ideal é comprar um kit de testes completo de água doce (pH, amônia, nitrito, nitrato) e acompanhar as subidas e descidas da amônia e do nitrito. Quando o nitrito cair a zero depois de ter subido, o aquário está pronto para iniciar a colonização dos peixes. Mas mesmo assim a população deve ser aumentada gradualmente, para permitir que a quantidade de bactérias também vá se adaptando ao aumento da carga biológica.

Vany Devos, Tiago Beltrão e Marcos Avila

A genética básica do Betta:

 

Para aqueles que se interessam pela genética do Betta, transcrevo aqui neste artigo, algumas referências de estudos de genética retirados do livro: Criando o Betta de Alex Damázio.  Que cita como origem textos de S. S. Aires, aquarista argentino que publicou estudos na revista Aquarama.

Os bettas possuem 21 pares de cromossomos em suas células sexuais, ou seja, 42 nas células somáticas. Estes cromossomos contêm os genes ou fatores responsáveis pela hereditariedade das características do peixe. Assim ,  a variedade cambodia, é produzida por um gene que inibe o pigmento negro do Betta.

Utilizando-se as fórmulas genéticas, o comportamento do Betta, variedade cambodia, pode explicar-se, conforme os trabalhos de H. B. Goodrich, Rowena N. Mercier, J. S. Domantay, L. S. Clemente e outros, da seguinte forma:

cc = genes recessivos para a cor clara do cambodia.

CC = genes dominantes para a cor escura do Betta colorido.

 

Que o fator cambodia é recessivo, demonstra-se pelo fato que, ao cruzar esta variedade com um Betta colorido, na primeira geração F1, só aparecem exemplares coloridos e nenhum cambodia.

                                   Pais

     cc                           X                            CC

cambodia                                               colorido

                                Gametas

   (c) (c)                                                    (C) (C)

femininas                                             masculinas

 

                               Geração F1

                            cC  cC  cC  cC

  

Todos os exemplares geneticamente são impuros (cC), ou seja, têm os 2 fatores, sendo o fenótipo (aspecto exterior do peixe) igual ao do pai ou mãe colorida, pois o fator (C) é dominante sobre o (c).

Na segunda geração (F2), cruzando irmãos entre si, obteremos:

Pais

cC                            X                             cC

Gametas

(c) (C)                                                     (c) (C)

Geração F2

cc  cC  cC  CC

25%  cc = cambodia puro.

25% CC = colorido puro.

50% cC = colorido impuro.

 

As cores iridescentes dependem, segundo Ebehardt, da presença de um gene recessivo, que simbolizou por (ri), porque este gene reduz o número de iridióforos, ou seja, os cromatóforos que contêm a guanina, responsável pelo reflexo de luz, que é responsável pelas cores azul, verde e azul metálico. Quando este gene se apresenta na fase (ri) (ri), o peixe não apresentará nenhuma iridescência. Na fase (Ri) ( Ri), a iridescência será máxima, pois a falta do gene recessivo, fará que todo o corpo apresente iridióforos. Também a forma impura (Ri) (ri), apresentará grande iridescência. Estas experiências de Eberhardt podem ser representadas segundo fórmulas genéticas.

Pais

Ri Ri                    X                    ri ri

Iridescente                              não iridescente

Gametas

(Ri) (Ri)                                         (ri) (ri)

Geração F1

(Ri ri) (Ri ri) (Ri ri) ( Ri ri)

ou seja, todos os exemplares da primeira geração são iridescentes, porém impuros geneticamente. Cruzando irmãos entre si, obteremos na segunda geração F2:

Pais

Riri                         X                            Riri

Gametas

(Ri) (ri)                                               (Ri) (ri)

Geração F2

(Ri Ri) (Ri ri) (Ri ri) (ri ri)

ou seja: 3 iridescentes (Ri Ri) (Ri ri) (Ri ri), para cada 1 não iridescente (ri ri).

Este não iridescente (ri ri) é puro, enquanto entre os iridescentes, somente o (Ri Ri) é geneticamente puro.

Segundo Umrath, dos cruzamentos realizados entre peixes de diversas cores iridescentes se obtém:

  1. Cruzamento de azul metálico (aço) com verde turquesa = todos os filhotes serão azul metálicos.
  2. Cruzamento de verde turquesa com verde turquesa = todos os filhotes serão verdes turquesa.
  3. Cruzamento de azul royal com azul metálico (aço) = todos os filhotes serão azul metálico (aço).
  4. Cruzamento de verde turquesa com azul royal = 50% dos filhotes serão azuis royal e 50% serão verdes turquesa.
  5. Cruzamento de azul royal com azul royal = 25% dos filhotes serão azul metálico (aço), 50% serão azul royal e 25% serão verdes turquesa.

Que o Betta iridescente seja verde, azul ou azul metálico, depende de outro gene, que atua sobre os cristais da guanina de forma especial, afetando sua distribuição. Este gene, simbolizado como  (v de virdis = verde) é recessivo e, quando se apresenta na forma (vv), o Betta será verde turquesa.  Na forma (VV) o peixe será azul metálico (aço) e na forma heterozigota (Vv) se obtém o tão desejado Betta azul royal.

Como se pode ver, é tanto possível se obter linhagens puras de azul metálico e verde, sem que seja possível conseguir-se o mesmo com linhagens puras de azul.

Pais

Ri ri                         X                      Ri ri

Gametas

(Ri) (ri)                                            (Ri) (ri)

Geração F2

(Ri Ri) (Ri ri) (Ri ri) (ri ri)

ou seja: 50% de azul, 25% de azul metálico e 25% de verde.

Pode-se efetuar cruzamento entre irmãos, até o infinito, sem jamais conseguir-se uma ninhada de 100% de Betta azul.

Até agora supunha-se que o gene responsável pela cauda dupla e grande dorsal, conhecido como gene (S) era do tipo dominante e semiletal. Um peixe que possua somente uma parte deste gene (SS) mostra a característica da cauda dupla, enquanto que o peixe que apresenta duas partes deste gene(SS) ou morre ainda como embrião ou, sobrevivendo, terá uma vida curta de não mais que 2;3 da vida normal de um Betta. Do cruzamento destes peixes, não se obteriam linhagens puras, pois dois terços dos descendentes mostram esta característica, enquanto o outro terço não a apresenta. Quando se cruza um Betta de cauda dupla com outro de cauda normal, a metade dos filhotes mostram esta característica e a outra metade não a apresenta.

Não seria recomendável realizar cruzamentos entre exemplares de cauda dupla, pois a descendência é fraca, menor e comumente apresenta deformações físicas. Os machos dificilmente fazem o ninho de bolhas e não se interessam pelo cruzamento. As fêmeas, contudo, comportam-se de forma normal (este fato não foi comprovado através de testes por mim, é transcrito do livro).

Recentemente, Wolf H. Bock, tem discutido a afirmativa anterior de que o gene (S) responsável pela cauda dupla é dominante e semiletal e que o cruzamento de um Betta de cauda dupla (SS) com outro de cauda normal (ss) redundaria em 50% de cauda normal e 50% de cauda dupla, de acordo com a seguinte fórmula.

Pais

Ss                   X                 ss

Gametas

(S) (s)                                   (s) (s)

Geração F1

(Ss) (Ss) (ss) (ss)

Segundo Bock, a cauda dupla se deve a um gene recessivo (não dominante) que simboliza com (d), em oposição ao gene dominante de cauda normal (D). Somente um peixe com a combinação (dd), mostrará a forma de cauda dupla, enquanto que a combinação impura (Dd), apresentará um fenótipo com cauda normal, não distinguindo do peixe que possua o genótipo (ou seja a constituição genética) da forma (DD). Quando se cruza um peixe normal (Dd) com um de cauda dupla (dd), se obtém:

Pais

Dd                X                dd

Gametas

(D) (d)                            (d) (d)

Geração F1

(Dd) (Dd) (dd) (dd)

ou seja, metade normais e metade com caudas duplas. Sem dúvida, se estes dois peixes impuros normais forem cruzados entre si, teremos como resultado 3 peixes normais para um de cauda dupla.

Pais

Dd            X                Dd

Gametas

(D) (d)                      (D) (d)

Geração F2

(DD) (Dd) (Dd) (dd)

Todos os que têm (D) têm cauda normal e somente o que apresenta o genótipo (dd) será de cauda dupla.

A prova que o gene responsável pela cauda dupla é recessivo, se obtém quando se estuda o cruzamento entre dois exemplares de cauda dupla. Segundo a teoria clássica será obtido:

Pais

Ss            X             Ss

Gametas

(S) (s)                   (S) (s)

Geração F1

(SS) (Ss) (Ss) (ss)

Como a combinação (SS) é mortal, só restariam dois exemplares de cauda dupla para cada um de cauda normal.

Segundo Bock, na realidade a fórmula é a seguinte.

Pais

(dd)          X            (dd)

Gametas

(d) (d)                     (d) (d)

Geração F1

(dd) (dd) (dd) (dd)

ou seja, todos os descendentes terão cauda dupla.

 

Boa leitura e até o próximo post,

PJ Fishes.

Neste artigo de autoria de  Eloy Labatut de Oliveira, extraído da internet, temos uma explicação sobre a química da água em um aquário. O exposto no artigo é de grande importância para o sucesso de seu plantado e para a saúde dos peixes que vivem na água, e um entendimento dos parâmetros da água em que eles vivem, são de fundamental importância para o sucesso de sua criação.

Boa leitura,

PJ Fishes.

- PH:

O pH refere-se à qualidade da água ser ácida ou alcalina. Um pH igual a 7.0 é considerado neutro, enquanto que valores abaixo de 7.0 são ácidos e acima alcalinos. Nos aquários de água doce cada espécie de peixe ou planta vive melhor em um determinado pH, que é referente ao pH do local de origem desta espécie.

No entanto a maioria das espécies aceitam valores de pH um pouco diferente do seu habitat natural. É importante lembrar que a escala do pH é logarítmica, ou seja, um pH de 6.2 é dez vezes mais ácido do que um de 7.2, daí a importância dos décimos, então quando dizemos que os peixes aceitam pequenas variações, estas variações são de aproximadamente 0.2.

No aquário, duas características tornam o pH um valor importante. Primeiro, como já foi dito anteriormente, cada espécie está adaptada a uma faixa de pH, podendo inclusive morrer se o pH não atender as suas necessidades, para este problema podemos alterar o pH para obtermos os níveis desejados. Segundo, a maioria das espécies (espécie se refere a toda forma de vida do aquário, e não apenas aos peixes) é extremamente sensível à variações rápidas de pH. Uma variação maior que 0.3 por dia já é prejudicial à saúde do aquário (a expressão "saúde do aquário" se refere aos peixes, plantas, bactérias, algas, etc.). Torna-se necessário então que consigamos duas coisas:

  • ajustar o pH, ao nível desejado;
  • estabilizar o pH, impedindo variações indesejáveis.

    A longo prazo, principalmente em aquários mal cuidados ou com filtragem inadequada, o pH tende a baixar devido ao aumento do ácido nítrico (nitratos) e outros ácidos orgânicos. Em outros casos, dependendo do tipo de cascalho utilizado e da origem da água, o pH tende a ficar elevado.

    Existem nas lojas diversos acidificantes e alcalinizantes, porém mesmo com o uso destes produtos é muito difícil ajustar o pH, por que depois de algum tempo o pH tende a voltar aos valores antigos. Isto porque na maioria das vezes é ignorada a dureza carbonatada da água (KH), nosso próximo tópico.

    - KH:

    A dureza carbonatada também é conhecida como alcalinidade (alkalinity), potencial alcalino, ou capacidade de tamponamento. Mas na realidade a dureza carbonatada se refere apenas aos carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água, pois existem outros compostos, inclusive alguns fosfatos, silicatos e outros que também possuem o efeito tampão. Os testes de KH existentes no mercado também medem a alcalinidade total, e não apenas os carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água. Mas o termo KH não deixa de ser correto, pois nos aquários os principais compostos alcalinos são os bicarbonatos e os carbonatos.

    O KH é o responsável pelo "efeito tampão", que é a capacidade de manter o pH estável, mesmo com a adição de ácidos ou bases (compostos alcalinos). Deste modo o pH está intimamente relacionado com o KH. Se um aquário está com o KH alto, será muito difícil alterar o seu pH, enquanto que se estiver com o KH baixo é muito difícil manter o pH estável, estando a água sujeita à grandes variações de pH. Algumas pessoas acham que, tendo um KH elevado, o pH também será elevado, mas isto não é verdade, pois se tivermos uma quantidade de compostos ácidos superior à capacidade de absorção do KH, o pH pode ser extremamente baixo (já vi um aquário com KH 7° e pH 6.5). O contrário também é possível pois podemos ter compostos alcalinos com poucos carbonatos, ou seja pH alto e KH baixo.Então se você está tendo problemas com o pH é bom verificar o KH.

    - GH:

    Muitas vezes o KH (dureza carbonatada) é confundido com o GH (dureza geral). O GH refere-se à concentração de magnésio e cálcio dissolvidos na água. A relação do GH com o pH é muito pequena, mas ele é importante para algumas espécies de peixes e plantas mais exigentes. Pergunte para o vendedor as exigências das espécies que você pretende comprar, se ele não souber informar, e nem se preocupar em descobrir, é bom mudar de loja, afinal já pensou como vivem, ou sobrevivem os peixes e plantas em uma loja destas? Apenas cuidado para não confundir GH com KH.

    O método mais simples de diminuir o KH e o GH é realizar trocas parciais com água de dureza carbonatada e geral mais baixas. Mas lembre-se que toda alteração deve ser feita lentamente, pois mudanças bruscas estressam os peixes, podendo causar diversas doenças e até mesmo a morte. Outro método é colocar turfa ou xaxim na água, turfa podemos encontrar em lojas de aquário, e xaxim em floriculturas. O xaxim é mais barato, mas menos eficiente. Se for utilizar xaxim cuide para que ele seja "puro", pois como é utilizado para o plantio de flores e folhagens, muitos contém fertilizantes e outros compostos (fungicidas, bactericidas, inseticidas, etc.) que podem causar um grande estrago no seu aquário.

    Se você pretende aumentar o KH, pode adicionar bicarbonato de sódio, encontrado em farmácias. Se você pretende elevar o GH e o KH, pode adicionar carbonato de cálcio (CaCO3). Toda adição deve ser feita lentamente e sempre devemos medir os valores algumas horas depois da adição, para verificar o quanto foi alterado.

    Também existem alguns produtos, por enquanto apenas importados e por consequência caros, que ajustam automaticamente o pH. Estes produtos são conhecidos como tamponadores. Se você tiver dificuldade em ajustar o pH, estes produtos podem ser muito úteis, pois além de ajustar o pH automaticamente, ajustam também o KH evitando variações de pH.

    Não existe um valor ideal de KH para manter o pH estável, pois isto depende de quais outros compostos existem dissolvidos no aquário e em qual quantidade. Geralmente um KH de 4° é suficiente para manter o pH estável (geralmente, mas não sempre).

    Tanto o KH como o GH são medidos em diferentes unidades, as mais utilizadas são graus (escala alemã), ppm (partes por milhão) ou mg/l (miligramas por litro).

    1 grau = 17.8 ppm CaCO3

    1 mol/L alcalinidade = 2.8 graus

    1 ppm = 1 mg/L

    Outra maneira de controlar o pH é através da injeção de CO2, este método é muito utilizado em aquários densamente plantados para atender a demanda de gás carbônico das plantas. As plantas utilizam CO2 no processo de realização da fotossíntese.

    O CO2 dissolvido está diretamente ligado ao pH e ao KH, pois as reações químicas que ocorrem entre a água entre os carbonatos e bicarbonatos e o CO2 geram ácido carbônico, que faz o pH diminuir.

    Podemos resumir a relação pH x KH x CO2 na seguinte tabela:

    KH

    ¯

    pH

    ®

    6.0

    6.2

    6.4

    6.6

    6.8

    7.0

    7.2

    7.4

    8.0

    0.5

    15

    9.3

    5.9

    3.7

    2.4

    1.5

    0.9

    0.6

    0.2

    1.0

    30

    19

    12

    7

    5

    3

    1.9

    1.2

    0.3

    1.5

    44

    28

    18

    11

    7

    4

    2.8

    1.8

    0.4

    2.0

    59

    37

    24

    15

    9

    6

    4

    2.4

    0.6

    2.5

    73

    46

    30

    19

    12

    7

    5

    3

    0.7

    3.0

    87

    56

    35

    22

    14

    9

    6

    4

    0.9

    3.5

    103

    65

    41

    26

    16

    10

    7

    4

    1.0

    4.0

    118

    75

    47

    30

    19

    12

    6

    5

    1.2

    5.0

    147

    93

    59

    37

    23

    15

    9

    6

    1.5

    6.0

    177

    112

    71

    45

    28

    18

    11

    7

    1.8

    8.0

    240

    149

    94

    59

    37

    24

    15

    9

    2.4

    10

    300

    186

    118

    74

    47

    30

    19

    12

    3

    15

    440

    280

    176

    111

    70

    44

    28

    18

    4

     

    CO2 miligramas/litro

     

    Para analisar a tabela devemos procurar um valor de KH (coluna da esquerda), e a interseção com o PH (linha superior) é o valor do CO2.

    Analisando a tabela é possível concluir que conhecendo os valores da dureza carbonatada e pH podemos inferir a quantidade de CO2 dissolvido na água, e aumentando ou diminuindo a injeção de CO2 podemos alterar os valores de pH. Porém índices muito altos de CO2 podem ser prejudiciais aos peixes, mas também são difíceis de serem atingidos. Mesmo assim é bom evitar índices acima de 30 mg/l, principalmente em aquários com poucas plantas, pois as plantas convertem o gás carbônico em oxigênio.

    Entretanto é preciso ter alguns cuidados pois a tabela baseia-se apenas na dureza carbonatada, ou seja, na quantidade de carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água, mas os testes de KH existentes medem o potencial alcalino total, ou seja medem também o potencial alcalino de outros compostos, como já foi dito anteriormente. Deste modo, se você tiver outros tamponadores no seu aquário a tabela pode não funcionar adequadamente. Mas, como já foi dito, o que predominam são os carbonatos e bicarbonatos, sendo assim provavelmente você não tenha problemas deste tipo.

    Através da tabela também é possível controlar a quantidade de CO2 para as plantas, mas isto fica para outra matéria.

  • Olá amigos.

    Trago até vocês neste post algumas informações a respeito da Branchoneta. Boa leitura.

    Nome popular: Branchoneta, Artêmia de água doce.

    Nome científico: Dendrocephalus brasiliensis.

    Branchonetas são as primas de água doce das Artemias salina, seu ciclo de vida desenvolve-se completamente em água doce tornando o seu cultivo mais prático que em relação a água salgada, bastando que se observe as particularidades do seu ciclo.

    Branchoneta: alguns comentários sobre o ciclo de vida e coleta:
    As branchonetas representam o ancestral dos crustáceos – que manteve a sua estrutura corporal e ciclo de vida sem modificações até a atualidade. Este caráter primitivo e simples as torna vítimas das modificações ambientais provocadas pelo ser humano nos últimos séculos.
    Como a branchoneta se desenvolveu no planeta antes que outros animais, ela não apresenta qualquer defesa contra predadores. Por isso, geralmente só ocorre em corpos d´água temporários (lagos ou poças d´água) em que os predadores não estão presentes. Está tão adaptada a este tipo de ambiente, que não ocorre em outros, pois:

    • O ovo da branchoneta é um cisto de resistência que permanece no sedimento seco, às vezes durante vários anos. Quando ocorre uma chuva suficiente para empoçar água , o cisto eclode e nascem as larvas. Em cerca de 10 dias, a branchoneta atinge a maturidade sexual, copula e passa a por ovos. Entre 20 a 30 dias após o nascimento, morrem por velhice. Tal ciclo de vida coincide com o ciclo de encher e secar as poças.
    • O ovo da branchoneta só eclode se for seco antes. Em contraste, a sua prima hipersalina Artêmia pode gerar “filhotes” se as condições ambientais estiverem boas, passando a produzir ovos de resistência apenas quando há estresse ambiental. Assim, se a branchoneta produziu ovos em um lago que não seca naquele ano, os ovos ficam depositados no sedimento, sem eclodir, enquanto as brachonetas genitoras já morreram de “velhas”. O lago pode então não apresentar nenhum indício da existência de branchoneta “viva”, até que uma nova geração venha a nascer. Isto ocorre quando o nível da água no lago desce um pouco, secando os ovos naquela faixa, e voltando a encher temporariamente após uma chuva.
    • A dispersão dos ovos da branchoneta é efetuada por aves aquáticas, quando os ovos ficam grudados nas patas e penas destas aves. Atualmente, até os pneus e rodas dos carros podem atuar como dispersores de ovos entre as poças de água das estradas de terra. No Nordeste, nos locais em que as estradas vicinais têm grandes poças, que fiquem pelo menos duas semanas com água empoçada, pode ocorrer a branchoneta.
    • Como a branchoneta não pode existir em locais onde haja predadores (principalmente peixes), as poças d´água e lagos onde ela ocorre geralmente não mantém ligações com rios ou córregos perenes. Por isso, no mundo, as branchonetas são muito mais frequentes em regiões áridas ou semi-áridas. Em regiões úmidas, como a da mata atlântica ou a amazônica, elas estão ausentes.
    • A branchoneta pode ocorrer em tanques ou viveiros de piscicultura que sejam drenados e secos periodicamente. Isso ocorre especialmente nos tanques de larvicultura de peixes, em que o tanque é enchido uma semana antes de colocar as larvas de peixes. Neste período, as branchonetas nascem e crescem rapidamente, de modo a serem grandes em relação às larvas para serem predadas. Quando as larvas de peixe crescem, as branchonetas já estão desovando, e propagando a geração seguinte.
    • O local típico de ocorrência da branchoneta são as poças d´água ou brejos, especialmente os que venham a secar (completa ou parcialmente) num ano ou outro.
    • Para coletar amostra, o mais viável e prático é coletar o sedimento que potencialmente contém os ovos, e não os animais vivos (que são muito sensíveis). Coleta-se uma camada superficial do sedimento, até 1 cm de profundidade , para formar uma amostra com cerca de 200 ml. Coloca-se a amostra num saco plástico fechado (não precisa deixar ar), e pronto.
    • O sedimento pode ser coletado tanto de local seco (que esteve submerso na época da chuva), como úmido ou submerso. Se o material contiver raízes ou pedras, estes podem ser removidos para facilitar o acondicionamento, já que os ovos ficam misturados ao sedimento fino.
    • As amostras podem ser mantidas por longo prazo tal como foram coletadas. Se for desejável secá-las para diminuir a massa ou volume, é só deixar secar naturalmente à sombra.
    • O mais importante é não deixar que o material das amostras se misture durante ou após a coleta. Como os ovos são microscópicos, podem acabar se misturando no instrumento de coleta, se ele ficar com terra aderida da amostragem anterior.
    • Para eclodir os cistos, deve-se hidratar o substrato, colocando-se uma pequena amostra (não todo o substrato) em uma caçamba, ou, um aquário de aproximadamente 50L, que contenha água verde, de algas unicelulares (aquelas que deixam a água verde) e não algas filamentosas, sem predadores como ciclops e larvas de mosquitos, para alimentar as branchonetas em seu estágio inicial de desenvolvimento. Podemos também usar, fermento de padaria, ração fininha para peixes, leite em pó, ou qualquer alimento que fique em suspensão na água para ser filtrado pelas branchonetas.
    • O nascimento delas se inicia logo após 12 horas da reidratação, mas não nascem todas, neste caso, para evitar que em tanques após uma chuva fraca e que não mantenha a poça por muito tempo, boa parte deles continua nascendo nos dias seguintes, como uma forma de garantir a preservação da espécie, pois se todos nascessem ao mesmo tempo e a poça secasse tudo estaria irremediavelmente perdido.
    • O crescimento é bastante rápido e depende da temperatura e da disponibilidade de alimento, já no 17° dia é possível ver exemplares adultos. Quando se esgotarem as branchonetas adultas que foram servidas aos peixes, seca-se o tanque e, o sedimento contendo ovos, iniciando-se novamente o processo.

    COMPORTAMENTO

    SENDO A BRANCHONETA ESSENCIALMENTE FILTRADORA , DEIXAM UM VIVEIRO BEM ADUBADO E RICO EM PLÂNCTON , COMPLETAMENTE “LIMPO” . A ESPÉCIE POSSUI AINDA UMA FORTE TENDÊNCIA A AGREGAÇÃO , NADANDO EM TODAS AS DIREÇÕES , AS VEZES NO SENTIDO VERTICAL DE CABEÇA PARA BAIXO . OS INDIVÍDUOS NADAM SOBRE O PRÓPRIO DORSO COM OS FILOPÓDIOS PARA CIMA .

    REPRODUÇÃO

    CONFORME OS ANOSTRACOS EM GERAL, OS CISTOS DAS BRANCHONETAS SÃO RÚSTICOS . SEUS CISTOS POR SEREM PESADOS VÃO PARA O FUNDO DO TANQUE , APÓS O ESVAZIAMENTO OS CISTOS DEVEM ESTAR SECOS PARA SEREM NOVAMENTE HIDRATADOS COM AGUA , QUANDO 24 HORAS APÓS , JÁ E NOTADO A PRESENÇA DE LARVAS , COM 6 DIAS DE VIDA , JÁ SE ENCONTRAM FORMAS JOVENS DE BRANCHONETA COM OVÁRIO EM FORMAÇÃO . APROXIMADAMENTE 17 DIAS APÓS A ECLOSÃO , ELAS JÁ SÃO ADULTAS E COMEÇAM A LIBERAR OS CISTOS , QUE TEM COR ESCURA E FORMA OITAVADA .
    TRATE-SE DE UMA ESPÉCIE PROLÍFICA , UMA ANÁLISE PRELIMINAR REVELOU QUE CADA FÊMEA PODE EXPELIR 1000 CISTOS APROXIMADAMENTE , ATE ATINGIR 60 DIAS DE VIDA QUANDO ELAS MORREM DE VELHICE .

    HÁBITO ALIMENTAR

    AO MESMO TEMPO QUE NADAM , A BRANCHONETA VAI SE ALIMENTANDO DE MATERIAL EM SUSPENSÃO , FILTRANDO COM SEUS APÊNDICES BACTÉRIAS , ALGAS , PROTOZOÁRIOS , METAZOÁRIOS E RESTOS DE MATÉRIA ORGÂNICA . TODAVIA , LOGO FICA CARACTERIZADO SUA TENDÊNCIA FITO PLANCTÔNICA , UMA VEZ QUE O ZOOPLÂNCTON PRATICAMENTE NÃO É CONSUMIDO , CONFORME OBSERVAÇÃO VISUAL EM ENSAIOS REALIZADOS EM AQUÁRIOS .

     

    Abaixo segue um vídeo mostrando as branchonetas:

     

    Espero que este post tenha sido proveitoso.

    Forte abraço,

    PJ Fishes.

    Olá amigos. Trago neste post uma entrevista com o Biólogo e criador de peixes ornamentais Wilson de Oliveira Vianna, falando sobre sua recente viagem de pesquisa ao alto Rio Negro. Fala-se sobre suas impressões, sobre as características dos biótopos, sobre o modo de vida da população local e alguns dados técnicos recolhidos ao longo da viagem.

    Boa leitura a todos.

    Pergunta PJ – Senhor Wilson em sua recente viagem à Amazônia, qual o seu destino e quais os seus objetivos?

    Resposta Wilson Vianna: O meu destino foi o Igarapé de Daracuá, um afluente do rio ITU, que por sua vez é afluente do Rio Negro. Esta localizado há mais de 1000 quilômetros da cidade de Manaus. Quero ressaltar que a expedição foi composta pelo Aquariofilista Edmar Schnabl, o Zootecnista Jonas Motta e o Engenheiro de Pesca Mario Gomes, conhecedor da região, sem o qual não teríamos obtido sucesso.

    PJ – Por que a escolha da época de viagem recaiu sobre a data de 20/10?

    Wilson Vianna: Porque nesta época o grande complexo do alto Rio Negro encontra-se em situação de vazante, no ponto ideal para que tivéssemos acesso aos biótopos. Estávamos já há algum tempo acompanhando – com o nosso contato na região – a situação do rio e quando ele sinalizou positivamente programamos a viagem.

    PJ – Quais os procedimentos que se deve adotar para uma viagem desta natureza?

    Wilson Vianna – É necessário todo um conhecimento estratégico e pessoal de suporte da região, devidamente recomendado e credenciado, pois se trata de região inóspita, onde habitam animais selvagens, como, por exemplo, cobras, jacarés, onças, além de enfermidades como malária, febre amarela, etc. Cabe ressaltar que o caos social acarretou a miséria e a existência de piratas, ladrões, etc., conforme temos noticias frequentemente através dos veículos de comunicação. Assim qualquer descuido poderá causar acidente sério com risco de vida.

    PJ – Como se deram as locomoções até o objetivo final?

    Wilson Vianna: Partimos do RJ, do Aeroporto do Galeão, no dia 20/10, às 20h: 40m, num voo da empresa aérea  GOL e chegamos a Manaus às 23h: 40m (horas de Manaus) com uma diferença de 2 horas de fuso, portanto, foram cinco horas de voo. Pernoitamos na casa da Dra. Haiti Rubens, diretora de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Manaus. No dia seguinte, por volta das 15:00h embarcamos numa barca a jato, que navegou subindo o rio Negro, com destino ao município de Barcelos e aonde chegamos no dia 22, por volta das 02h: 35m. Em Barcelos encontramos o barco chamado “Comandante Pinheiro”, contratado por nós anteriormente no qual dormimos em redes. No dia seguinte, por volta das 08h: 30m, voltamos a subir o Rio Negro e chegamos ao Município de Daracuá, no Rio Itu, por volta das 21h:00m. Na viagem de volta – o percurso Barcelos/Manaus – foi feito através de avião turbo hélice da empresa aérea TRIP.

    PJ – Houve pessoal de suporta na região?

    Wilson Vianna – Sim tivemos suporte de três pessoas. Um piabeiro chamado Carlos Pinheiro, pescador de espécies ornamentais, nascido, criado e conhecedor dos perigos da região, outro piabeiro chamado Biro e uma senhora chamada Rosimar que foi contratada como cozinheira e para demais serviços gerais.

    PJ – Dentre os biótopos visitados, quais os parâmetros físico-químicos mais diferenciados encontrados nas águas em relação ao praticado em nossos aquários, e quais as características dos biótopos?

    Wilson Vianna: A água do Rio Negro é cor de chá, variando em alguns trechos. Nos biótopos do acará disco ela se apresenta um pouco mais escura e os locais são mais fundos enquanto no biótopo dos neons ela é mais clara e apresenta transparência de até três metros. Segue abaixo, especificação dos biótopos:

    •     A água do biótopo do neon cardinal apresenta-se da cor de chá, no entanto, é transparente. O substrato é composto – por mais de quinze centímetros – de matéria vegetal em decomposição; folhas e troncos. Trata-se de igarapé onde a mata foi inundada. Árvores no meio do igarapé oferecem refúgios aos cardinais. Foram registrados os seguintes parâmetros físico-químicos: pH 4.5; GH 1.0; nitrito, nitrato e amônia 0 (zero), temperatura 28 graus, transparência (disco de Secchi) 3 metros e condutividade elétrica de 10 micro Siemens por centímetro.
    •     A água do biótopo do acará disco e bandeira, também é cor de chá, o substrato é composto de matéria vegetal em decomposição; folhas e troncos. O local tem muitas árvores e troncos sob a água. Foram registrados os seguintes parâmetros físico-químicos: pH 5.0; GH 1.0; nitrito, nitrato e amônia 0 (zero), temperatura 28 graus, transparência (disco de Secchi) 3 metros e condutividade elétrica de 10 micro Siemens/cm.

    PJ – Como o Senhor descreve a coleta de peixes Amazônicos? Quais os envolvidos?

    Wilson Vianna: Tivemos conhecimento de que a atividade de coleta e exportação dos ornamentais da região encontra-se em decadência. O número de piabeiros – que até dez anos atrás ultrapassava a casa de oito mil – atualmente não passa de dois mil. Em face ás exigências das autoridades regulamentadoras, principalmente o IBAMA, algumas empresas de exportação estão saindo do Brasil e se estabelecendo na Colômbia, por onde os peixes brasileiros estão sendo contrabandeados. Um exemplo sabido é o Aruanã negro, cuja captura no Brasil é proibida e é exportado aos montes pela Colômbia.

    PJ – O senhor cita que os piabeiros estão tendo sérias dificuldades de vender os seus peixes devido à significativa queda na procura de peixes ornamentais por parte dos exportadores. A que se deve isto? Existem alternativas?

    Wilson Vianna: Sim… Como citei o número de piabeiros caiu de mais de oito mil para menos de dois mil. Muitos deles migraram para a pesca esportiva do tucunaré, que esta crescendo muito na região, mas que não é o suficiente para empregar todos os ribeirinhos. As autoridades tem consciência deste caos social que está ocorrendo, no entanto, pelo que sabemos, muito pouco foi feito até agora.

    PJ – Quais as principais espécies coletadas?

    Wilson Vianna: O Neon cardinal é o principal. Há ainda várias espécies de cascudos e corydoras, borboleta, rodostomus, acará disco e muitos outros.

    PJ – O processo de exploração  das espécies ornamentais, é puramente extrativista. O senhor teve conhecimento se existem pesquisas sendo realizadas por, ou, com apoio, de Universidades locais ou órgãos governamentais para uma mudança na forma de exploração dos peixes? Quais seriam?

    Wilson Vianna: Atualmente o processo é exclusivamente extrativista. De acordo com nossos contatos com pesquisadores da Universidade Federal de Manaus e também com pesquisadores da Embrapa, há iniciação de projetos para criação – em cativeiro – de espécies nativas com vistas a melhoramento genético. Em face ao problema social que está ocorrendo na região em virtude da considerável diminuição da exportação a mão de obra dos piabeiros seria utilizada nesses empreendimentos. Ocorre, entretanto, que eles não possuem o apoio das autoridades regulamentadoras e infelizmente os projetos não saem do papel.

    PJ – Quais as espécies pesquisadas pelo Sr. durante sua viagem e quais os estudos desenvolvidos?

    Wilson Vianna: Basicamente o acará disco, o acará bandeira, o neon cardinal, etc., mas o nosso interesse principal foi relacionado às características bióticas e abióticas dos habitat das espécies em questão.

    PJ – Qual a impressão mais marcante de sua viagem?

    Wilson Vianna: O que mais marcou foi à grandeza e a beleza daquela região, dos rios, dos igarapés, dos igapós, dos biótopos, da diversidade de espécies, etc. A natureza foi muito generosa com aquele ecossistema.

    Esta foi a entrevista.  Vejam abaixo algumas fotos da expedição. Clique nas fotos para vê-las em tamanho maior.

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    Até o próximo Post,

    PJ Fishes.

        Olá amigos.

        Neste post trago o vídeo abaixo, que apresenta uma reportagem sobre a já tradicional feira de Guarulhos em SP. O vídeo apresenta uma breve explanação sobre este comércio de peixes ornamentais que comercializa mais de 1000 espécies com valores movimentados,  de aproximadamente R$ 500.000,00 por mês.

     

     

     

        Forte abraço,

        PJ Fishes.

    Olá amigos, trago a vocês este documentário produzido pela TV Cultura a respeito da vida e do trabalho dos Piabeiros, na coleta de peixes ornamentais da Amazônia.

    O piabeiro é o coletor de peixes ornamentais, que realiza a pesca propriamente dita. É ele quem retira o peixe dos rios da bacia Amazônica e o repassa para os exportadores. Geralmente tem uma vida de muitas dificuldades e pouquíssimo lucro oriundo de sua atividade. Vende peixes por milheiro e recebe valores irrisórios se comparados aos preços finais dos peixes em lojas do Brasil e exterior.

    Acompanhe nos links abaixo esta excelente reportagem da TV Cultura.

    Capítulo 1:

    Capítulo 2:

    Capítulo 3:

    Capítulo 4:

    Capítulo 5:

    Capítulo 6:

    Um forte abraço a todos e até o próximo post,

    PJ Fishes.

    Recentemente alguns proprietários de lojas que comercializam peixes e outros organismos aquáticos ornamentais, localizadas no estado do Rio de Janeiro, procuraram a AQUORIO, solicitando orientação quanto à fiscalização a que foram submetidos, por parte IBAMA, na semana de 24 a 28 de novembro, do corrente ano, que gerou notificação, multa e, em alguns casos, interdição da bateria de aquários.

    A seguir transcrevemos a relação da documentação exigida e o texto da notificação apresentados à AQUORIO, por uma das empresas notificadas:

    “Registro Geral da Pesca (do Ministério da Pesca), Cadastro Técnico Federal (do IBAMA) e Licença de Operação (do Órgão Ambiental Competente – INEA ou Secretaria Municipal do Meio Ambiente). O notificado deverá comparecer ao IBAMA, no prazo de dez dias, a contar da data da emissão desta notificação, para prestar esclarecimentos sobre os fatos descritos acima. O não comparecimento poderá constituir crime em desacordo ao artigo 330 do código penal.”

    Recebemos informação – extra oficial – que a fiscalização será extensiva a vários estados, portanto, alertamos aos colegas enquadrados na categoria de “lojas que comerciam peixes ornamentais” que fiquem alerta e que na medida do possível façam os seus registros.

    Créditos: Wilson Vianna

        Olá amigos, venho neste post explicar a reprodução do betta.

        Inicialmente, devemos colocar o casal que se pretende cruzar se observando cerca de uma semana antes do acasalamento. Isto serve para que ambos se conheçam e não sejam completamente estranhos um para o outro, o que pode gerar um comportamento mais agressivo de ambos durante o acasalamento, onde o mais forte vai agredir o mais fraco.

        Passado este período de uma semana, eu uso um método que é o de colocar a fêmea dentro do aquário de cruzamento isolada do macho por uma garrafa pet que possui o fundo cortado, ficando o macho solto pelo aquário e a fêmea dentro da garrafa. Também nesta fase eu coloco um suporte para o ninho, que pode ser um copo de isopor cortado ao meio, um pequeno quadrado de plástico de saco de supermercado, ou plantas flutuantes, deixando-se uma altura de cerca de 15 cm de água no aquário e mantendo uma temperatura no aquário em torno de 26 à 28 ºC, e pH em torno de 6,8.

        Após estes preparativos o macho deve iniciar a confecção do ninho de bolhas no suporte descrito acima e quando a fêmea (dependendo da cor do corpo) apresentar riscos verticais, significará que esta encontra-se pronta para o acasalamento, devendo ser solta no aquário de cruzamento retirando-se a garrafa que a isola do macho. Nesta etapa muitas vezes é normal que o acasalamento não tenha início imediato, acontecendo a fuga da fêmea e então o macho a agride, sendo arrancados pedaços das nadadeiras ou escamas das fêmeas, sendo normal pequenas feridas. Após algum tempo eles iniciarão o acasalamento.

        Normalmente, obedecidas as condições acima descritas, a fêmea dirige-se para o ninho confeccionado pelo macho e tem lugar o acasalamento propriamente dito que é um abraço do corpo do macho no corpo da fêmea, formando uma espécie de "U". A fêmea então expele os ovos, sendo estes imediatamente fecundados pelo esperma do macho. Por alguns segundos ambos ficam imóveis, caindo lentamente do ninho em direção ao fundo, sendo normal que o macho seja o primeiro a se recuperar do entorpecimento do abraço, e este inicia o recolhimento dos ovos que encontram-se no fundo, sendo logo acompanhado nesta tarefa pela fêmea tão logo esta se recupere.

        Estes abraços são repetidos diversas vezes e ao término destes, a fêmea retira-se para um canto do aquário não voltando mais a se aproximar do ninho. A partir deste momento devemos retirar a fêmea do aquário, colocando-a em uma beteira com 3 gotas de azul de metileno, para que qualquer ferida decorrente do acasalamento, não venha a se transformar em doenças e abaixa-se a altura da coluna de água do aquário para cerca de 5 cm, para que os filhotes que nasçam e que tentam nadar, como ainda não o conseguem nas primeiras 48 h, morram devido a altura da coluna de água. Baixando-se para a altura recomendada, se dá tempo ao macho de recolher todos os filhotes que caem e ficam imóveis no fundo, repondo os filhotes ao ninho.

        Nesta etapa, o trabalho do macho é extenuante, repondo todos os filhotes que caem do ninho de volta a este e refazendo o ninho de bolhas que começa a se desfazer, entregando-se permanentemente a estas tarefas. Devemos então providenciar uma fraca luz para que o macho possa realizar estas tarefas dia e noite, não deixando que ocorram mortes.

        Por volta do terceiro dia após a eclosão dos ovos, os alevinos começam a nadar, sendo isto caracterizado, quando se observa os filhotes na horizontal e flutuando, devendo-se então retirar o macho do aquário e iniciada a alimentação dos alevinos com micro vermes, vermes de vinagre, náuplios de artêmia (maior parte da alimentação), Gema de ovo spray dried, ou, Krill spray dried tomando-se o cuidado de não oferecer demais (e poluir a água), nem de menos (e ficarem alguns peixinhos sem alimentos), a experiência vai lhe mostrar. Este procedimento deve ser observado até o primeiro mês de vida dos betinhas, quando deverá estar formado o labirinto, órgão que possibilita ao betta absorver oxigênio da superfície além do absorvido na água através das guelras. Este primeiro mês é a fase mais crítica podendo-se dizer que os filhotes que sobrevivem durante o primeiro mês, normalmente sobrevivem nas fases posteriores.

        Espero que este post seja útil. Boa sorte a todos que se aventurarem na criação deste belo peixe.

        Abraço a todos e até o próximo post,

        PJ Fishes.

        Olá.

        Trago até vocês um artigo sobre Acarás Bandeira, contendo dados sobre a origem, hábitos, reprodução e outros temas ligados a este peixe bastante popular em nosso país.

        Boa leitura a todos.

        Acarás Bandeira, Alimentação, Hábitos e Reprodução:

        Este belíssimo peixe, também chamado de peixe-anjo, é um dos mais pacífico dentre os ciclídeos. Apresenta o corpo alto e achatado. A variedade encontrada na natureza apresenta de três a quatro grandes faixas verticais pretas sobre o corpo prateado. As nadadeiras dorsal e anal são longas com filamentos.

        É encontrado no norte da América do Sul conforme mostra a figura abaixo.

        Aceita bem quase todo tipo de alimentação. Porém é importante oferecer-lhes alimentos ricos em proteínas tais como artemias, tubifex ou dáfnias. O ideal é que sejam dados vivos, mas atualmente é comum encontrar, nas lojas especializadas, estes alimentos desidratados, sendo bem aceitos.

        Pode-se oferecer, também, filhotes de peixes de outras espécies vivos, que também serão devorados com muito gosto, embora, eu seja contra esta prática, devido a boa oferta de alimentos vivos, desidratados e congelados em lojas de centros de maior desenvolvimento aquarístico, mas em regiões do país que não possuem tantas ofertas assim esta é uma alternativa a se considerar.

        É preciso que o aquário tenha uma altura compatível com o seu tamanho (um acará-bandeira adulto chega a atingir 15 cm!).

        Gosta de um ambiente bem plantado e bem iluminado.

        Não é conveniente deixá-lo na presença de peixes muito agitados como o Brachydanio reiro (paulistinha), pois estes, com seu constante ir e vir, acabam deixando-os irritados. Também não é conveniente deixá-los na presença de peixes muito pequenos, pois estes poderão ser devorados, o que é raro mas não impossível. Adaptam-se bem na companhia de Corydoras e de Otocinclus Mariae (limpa-vidros), além de tetras variados, guppies e acarás disco dentre outros.

        Quando se juntam em casais defendem seu território, que atinge até uns 100 cm2 . Assim sendo o ideal é ter um aquário grande para que eles possam ter espaço suficiente para viverem.

        O acará-bandeira praticamente não possui dimorfismo sexual, ou seja, é muito difícil distinguir o macho da fêmea. Quando adultos, o macho apresenta um crânio com uma pequena deformação, conforme é visto na figura abaixo e a fêmea possui a “testa” reta, sem a deformação do macho.


        A melhor maneira de separar um casal é colocando vários acarás-bandeiras jovens juntos e deixar que a natureza cuide para que eles se separem.

        O acará bandeira precisa de bastante espaço para se reproduzir. Portanto será necessário um aquário de no mínimo 60X30X25 se você estiver pretendendo oferecer um bom local para reprodução.

        São ovíparos. Seus ovos são fecundados e se desenvolvem fora do útero materno. A fêmea deposita seus ovos (que pode chegar até a 500 ovos!) preferencialmente na vertical, escolhendo plantas de folhas grandes. Frequentemente depositam seus ovos em outros locais, como pedras, nos tubos do filtro ou até mesmo nos vidros do aquário, já existindo no comércio aquarístico um cone imitando o barro, vendido inicialmente para acarás disco, mas que serve perfeitamente para a desova de bandeiras. O local é cuidadosamente selecionado e preparado tanto pelo macho quanto pela fêmea.

        O acasalamento, se é que podemos dizer assim, é um ritual muito interessante. A fêmea percorre, encostando seu corpo, no local escolhido para desova, depositando uma fileira de ovos. Em seguida o macho percorre o mesmo trajeto fertilizando-os.

        Os filhotes nascem ao fim de 3 ou 4 dias. Os pais cuidam dos filhotes muito zelosamente, protegendo-os contra qualquer possível agressor. Muitas vezes os carregam na boca para protegê-los. Convém separá-los dos pais ao final de aproximadamente 4 a 8 semanas após seu nascimento. Aceitam nesta fase preferencialmente náuplios de artêmia.

        A reprodução comercial do acará-bandeira é feita através de inseminação artificial, permitindo a manipulação e obtenção de inúmeras variedades, além de uma quantidade bastante elevada.

        Segue abaixo uma pequena tabela resumitiva das características deste peixe:

    Espécie – Pterophyllum scalare

    Reprodução – Ovíparo

    Família – Ciclídeos

    Água – Ligeiramente mineralizada e pouco ácida

    Origem – América do Sul

    Alimentação – Onívoro

    Temperatura – 23 – 28 ºC

        Um abraço a todos e até o próximo post,

        PJ Fishes.

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